A microbiota vaginal : importância do equilíbrio

2 Janeiro, 2020 Marisol Coelho

A microbiota vaginal : importância do equilíbrio

Microbiota vaginal e infeções urinárias

As infeções urinárias na mulher têm inúmeras causas, e para cerca de 80% das mulheres ativas, a infeção está relacionada com a presença de E. Coli, e a passagem desta bactéria intestinal para a bexiga. No entanto, algumas mulheres desenvolvem estas infeções com mais frequência, as infeções repetidas, sobretudo após relações sexuais.

Um estudo da Universidade de Washington, cujos os resultados foram publicados em Março 2017, tráz uma resposta inovadora a estas problemáticas femininas: a bactéria vaginal Gardnerella vaginalis (G. vaginalis) « acorda» a E.Coli na bexiga. Na verdade a bexiga tem o seu próprio microbioma, com reservatórios  de E.Coli em espera, muita vezes  provenientes de uma infeção anterior.

O estudo realizado sobre um modelo animal,  em ratos fêmeas, modelos de infeção urinária por E. Coli,atingidas  infectados por uma  primeira vez por uma infeção urinária , e depois tratada até recuperação.

Um mês após a infeção, nenhum E.coli foi detectado na urina mas persistem grupos no estado latente a nível vesical.Os cientistas introduzem nas bexigas Lactobacillus crispatus, uma outra bactéria vaginal, ou G. vaginalis ou água salgada estéril (grupo testemunho).

Observam que se estes 2 tipos de bactérias vaginais são eliminadas da bexiga durante as 12 horas, com G. vaginalis reaparece E. Coli na urina em mais de metadas dos ratos expostos. Os ratos que receberam a outra bactéria vaginal ou água do mar estéril ficam 5 vezes menos expostos em desenvolver uma nova infeção urinária. Por isso, Gardnerella vaginalis não é uropatogénia mas ao danificar as células do endotélio vesical, favorece a multiplicação das E. Coli latentes. 

Desde a bexiga até aos rinse-coli

Nalguns ratos infectados, a G. vaginalis passa da bexiga para os rins, através das vias urinárias. Processo que podemos observar também nas mulheres e que provoca em 1% dos casos a pielonefrite. O estudo demonstrou que quando a Gardnerella fica só, provoca uma inflamação renal; associada à E. Coli favorece a doença renal.

É pois a presença de G. vaginalis que torna torna o E. Coli mais suscetível de provocar uma doença renal grave.  

Conclusões

• A vaginose bacteriana com G.vaginalis está relacionada a um risco de infeções urinárias, daí a importância desta publicação que refere uma pista totalmente nova, na qual se « trata » somente a presença de E.coli, tratamento  que não tem nenhuma ação sobre a Gardnerella. Este estudo demonstra também a importância do equilíbrio das microbiotas, sejam elas urinária, intestinal ou vaginal, e como todas as « porosidades »são importantes de um meio para outro.

• As bactérias vaginais como G.vaginalis são deslocadas nas vias urinárias durante as relações  sexuais, o que explica as repetições das infeções nas mulheres portadoras destas  bactérias vaginais em grande número ou vaginose bacteriana.

terrain-b-nFace às infecções urinárias de repetição, sobretudo após relações sexuais, é importante reequilibrar as várias microbiotas fornecendo Lactobacilos, fermentos lácticos, compostos importantes das floras vaginal e urinária, mas também agir  sobre as causas destas fragilidades (stress, higiene…).

Fonte: Transient microbiota exposures activate dormant Escherichia coli infection in the bladder and drive severe outcomes of recurrent disease. Nicole M. Gilber et al. PLOS Pathogens March 30, 2017

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